Saído de algum lugar das profundezas do país, um parente veio visitar o Mullah e trouxe-lhe um pato de presente. Encantado, Nasrudin mandou cozinhar a ave e partilhou-a com o hóspede. Depois disso, entretanto, um conterrâneo depois do outro começou a visitá-lo, cada um deles dizendo ser amigo do amigo do “homem que lhe trouxe o pato”. Mas nenhum outro presente lhe foi oferecido.
Finalmente, o Mullah exasperou-se. E, um dia, outro estranho apareceu.
“Sou amigo do amigo do amigo do parente que lhe trouxe o pato”.
E sentou-se, como todos os outros, esperando uma refeição. Nasrudin estendeu-lhe uma tigela de água quente.
“O que é isso?”
“É a sopa da sopa da sopa do pato que me foi trazido pelo meu parente”, disse-lhe Nasrudin.
Nota: A experiência espiritual não pode ser transmitida pela iteração, mas tem de ser constantemente refrescada na fonte. Inúmeras escolas continuam a operar muito tempo depois de exaurir-se a dinâmica real, passando a ser meros centros de repetição de uma doutrina progressivamente enfraquecida. O nome do ensinamento pode continuar o mesmo. O ensinamento pode não ter valor e até opor-se ao sentido original, pode ser quase um simulacro dele. É o que Nasrudin enfatiza com este conto.
Extraído do Livro: Os Sufies, de Idries Shah
2 comentários:
Difícil comentar, Leandro. A história traz lições lá para dentro de nós. Então, neste tempo de tantos paetês, dá trabalho fugir da sopa da sopa... e aquelas que parecem, tem cheiro, cor e sabor da verdadeira e não são? quão difícil distinguir... Obrigada por este presente!
Feliz Mushkil Gusha!
Eita, consegui postar deste email. Abraço
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