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Mostrando postagens de 2008

Moisés e o Pastor (Jalaluddin Rumi)

Certa vez, Moisés ouviu um pastor rezando assim:

"Ó Deus, mostra-me onde estás, para que eu possa tornar-me Teu servo. Limparei Teus sapatos e pentearei Teus cabelos, coserei Tuas roupas e irei buscar leite para Ti."

Ao ouvi-lo rezar dessa maneira insensata, Moisés repreendeu-o dizendo:

"Ó tolo, embora teu pai fosse um crente, tu te tornaste um infiel. Deus é um Espírito, e não necessita desses cuidados grosseiros, como tu, em tua ignorância, supões."

Envergonhado com essa censura o pastor rasgou suas vestes e fugiu para o deserto. Então ouviu-se uma voz do céu dizendo:

"Ó Moisés, por que fizeste partir meu servo? Teu ofício é reconciliar meu povo comigo, e não afastá-lo de mim. Dei a cada raça diferentes costumes e formas de louvar-me e adorar-me. Não tenho necessidade de seus louvores, estando acima de toda necessidade. Não considero as palavras que são ditas, mas o coração que as oferece. Não exijo belas palavras, mas um coração ardente. São várias as formas d…

Allah suprirá

"Allah suprirá", dizia Nasrudin certo dia a um homem, que se queixava por alguém ter lhe roubado um dinheiro guardado em sua casa.

O homem expressou suas dúvidas.

Nasrudin levou-o à mesquita e rolou pelo chão, invocando Allah para que restituísse as vinte moedas de prata do homem.

Incomodada com aquela presença, a congregação angariou donativos e o total foi entregue ao surpreso homem.

"Você pode não compreender os meios que operam neste mundo, mas seguramente compreende o fim quando este lhe é entregue de forma tão concreta", disse o Mullá.

Quando se preocupar

O burro de Nasrudin estava perdido. Todos ajudavam a procura-lo pelas redondezas.

Alguém disse: "Você não parece nem um pouco preocupado. Será que não se dá conta de que seu burro poderá não ser mais encontrado?"

Ao que Nasrudin respondeu: "Você vê aquele morro mais ao longe? Ali ainda ninguém procurou. Se não acharem nada por lá, daí eu começo a ficar preocupado".

Apenas por graça...

Ao perceber um vulto branco na penumbra do jardin, Nasrudin pediu a sua mulher que providenciasse seu arco e flexa. Atingiu o objeto, saiu para ver o que era e voltou lívido, prostrado.

"Essa foi por um triz, Imagine só. Aquela minha camisa secando lá fora... Se eu estivesse nela, já teria sido morto. A flexa pegou bem no coração."

Segundo a Lei de Deus

Alguns meninos encontraram uma sacola cheia de nozes e ficaram muito felizes. Mas, esta felicidade durou apenas até decidirem repartir o conteúdo da sacola. Da algazarra, passaram ao desacordo, e daí a luta corpo a corpo. Como dessa maneira não encontraram solução, recorreram a Nasrudin para que desempenhasse o papel de mediador e juiz.

Este, tomando a sacola de nozes, perguntou: "Que lei vocês querem que eu use para repartir essas nozes, a lei dos homens ou a lei de Deus?"

"A lei de Deus", responderam os meninos em uníssono.

Nasrudin então começou a divisão: dando 2 a um, 3 a outro, 4 a este, um punhado aquele e a alguns outros não lhes deu nada.

Imediatamente, os que nada receberam começaram a queixar-se: "Mas Nasrudin, que tipo de lei você aplicou?"

"Meus filhos, reparti segundo a lei de Deus: a uns muito, a outros pouco e, a alguns nada. Se vocês tivessem escolhido a lei dos homens, as coisas teriam sido muito diferentes."

Estamos quites

Um dia Nasrudin foi ao banho turco. Os empregados trataram-no muito mal; deram-lhe um lenço velho e uma toalha rasgada. Nasrudin nada reclamou e ao sair deixou uma boa gorgeta.

Na semana seguinte, voltou ao mesmo banho turco. Desta vez, os empregados deram-lhe tratamento de primeira e Nasrudin deixou-lhes uma gorgeta muito fraca.

"Senhor, por que uma gorgeta tão ruim por um serviço tão caprichado?"

"Essa é a gorgeta da semana passada e aquela da semana passada é a gorgeta de hoje. Portanto, estamos quites!"

Apenas supondo

O Mullá caminhava pela rua, absorto em seus pensamentos, quando de repente, uns pirralhos começaram a atirar pedras nele.

"Não façam isso e eu lhes contarei algo que lhes interessa."

"Está bem, o que é? Mas, não nos venha com filosofia."

"O Emir está oferecendo um banquete aberto a todos."

As Crianças sairam correndo para o palácio, enquanto Nasrudin começava a entusiasmar-se com sua história, com as guloseimas e delícias da festa.

Levantou os olhos e viu-os desaparecendo ao longe. De repente, levantou sua túnica e saiu correndo atrás deles.

"E melhor que eu vá e veja", disse Nasrudin ofegante, "pois afinal, bem que poderia ser verdade".

Ficou na cabeça

Era dia de festa e a mulher de Nasrudin preparou uma daquelas fantásticas receitas de doce. Os dois comeram quase tudo e deixaram um pedaço para o dia seguinte.

À noite, tentando dormir, Nasrudin não conseguia pegar no sono de tanto pensar no doce. Até que acordou a mulher:

"Levanta que eu tenho algo importante para te dizer".

Enquanto a mulher tratava de se levantar, Nasrudin foi até a cozinha, voltando com o prato de doce nas mãos:

"Vamos comer tudo agora antes de dormir, é melhor ficar com o doce no estômago do que na cabeça".

A Mulher Perfeita

Nasrudin tomava chá e conversava com um amigo sobre a vida e o amor.

"Por que você nunca se casou, Nasrudin?", perguntou o amigo.

"Eu passei a minha juventude a procurar a mulher perfeita, no Cairo conheci uma linda jovem, inteligente, mas ela não era muito cortês. Em Bagdá, conheci uma mulher de alma generosa e amiga, mas não tínhamos muito interesses em comum. Então, um dia, eu a conheci uma mulher linda, inteligente, educada e generosa... Era a mulher perfeita".

"E por que você não se casou?". Perguntou o amigo.

Pensativo, Nasrudin sorveu mais um gole de chá e concluiu:

"Infelizmente, ela também estava a procura de um homem perfeito."

É por isso que lhe dão valor

"Nunca dê as pessoas coisa alguma que peçam, até que ao menos um dia tenha se passado", disse o Mullá.

"Por que não, Nasrudin?"

"A experiência mostra que só dão valor a algo, quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não consegui-la."

Um momento no tempo

"O que é o destino?" foi perguntado a Nasrudin por um estudioso.

"Uma sucessão interminável de eventos entrelaçados, um influenciando o outro."

"Não é uma resposta muito satisfatória. Eu acredito em causa e efeito."

"Muito bem. Veja só aquilo", respondeu Nasrudin, apontando um cortejo que passava justo naquele momento.

"Aquele homem está sendo levado à forca. Por que será??? Por que alguém lhe deu uma moeda que lhe permitiu comprar uma faca com a qual cometeu um assassinato? Ou porque alguém testemunhou o crime? Ou foi porque ninguém o impediu de cometer o delito?"

Se Deus quiser

Uma noite, Nasrudin comentou com a sua mulher: "Se chover amanhã, vou cortar lenha; se fizer sol, vou arar a terra."

"Diga 'se Deus quiser', Nasrudin, diga 'se deus quiser'." Advertiu sua mulher.

Ele ficou irritado: "Por que vou ter que dizer 'se Deus quiser'? Com toda certeza farei uma coisa ou outra".

Na manhã seguinte, o tempo estava bom, fazia um lindo dia de sol. Nasrudin saiu para arar a terra, mas quando estava prestes a pegar no arado, começou a chover. Pôs-se então a caminho do bosque para cortar lenha, mas não tardou em cruzar com um homem a cavalo, que lhe perguntou:

"Como se faz para chegar a tal povoado?"

"Não mim pergunte, pois não sei", respondeu Nasrudin e tratou de seguir seu caminho.

Mas, o homem ameaçou-o com um chicote ordenou-lhe: "Pare! vai me levar ao povoado."

Nasrudin não teve outro remédio a não ser trocar de rumo. Acompanhou o homem ao povoado que, por sinal, era muito longe dali.

Qu…

A caçada

O rei, que apreciava a companhia de Nasrudin, mandou chamá-lo certo dia para caçar ursos. Nasrudin ficou apavorado, mas não tinha como escapar dessa.

Quando voltou ao povoado, alguém lhe perguntou:
"como foi a caçada Nasrudin?"

"Fantástica!". Respondeu.

"Quantos ursos você matou?"

"Nenhum."

"Quantos perseguiu?"

"Nenhum."

"Quantos viu?"

"Nenhum."

"Então, como pode ter sido fantástica?"

"Quando se está caçando ursos, 'nenhum' é mais do que suficiente."

Isto por aquilo

Nasrudin foi a uma loja para comprar uma calça. Mudou de idéia e escolheu um manto que custava o mesmo preço. Pegou o manto e saiu da loja.

"Você não pagou!", gritou o vendedor.

"Eu deixei a calça, que custa o mesmo que o manto."

"Mas você também não pagou a calça!"

"E por que eu deveria pagar por algo que não quis comprar?!"

Caiu alguma coisa

Ao ouvir um forte estrondo, a mulher de Nasrudin saiu correndo até o quarto.

"Não precisa se preocupar", disse o Mullá, "foi apenas o meu manto que caiu no chão."

"O quê? e fez um barulho desses?"

"Sim, é que na hora eu estava dentro dele."

O peso da culpa

Um dia, ao voltarem para casa, Mullá Nasrudin e sua mulher encontraram-na assaltada. Tudo o que poderia ser carregado o foi.

"A culpa é sua", disse sua mulher, "porque deveria ter se certificado, antes de sairmos, de que a casa estava trancada."

Os vizinhos bateram na mesma tecla: "Você não trancou as janelas", disse um deles.

"Porque não se preveniu para uma situação como essa?", disse outro.

"As trancas estavam com defeito e você não as substituiu", disse um terceiro.

"Um momento", disse Nasrudin, "certamente não sou eu o único culpado, sou?"

"E quem deveríamos culpar?" gritaram todos.

"Que tal os ladrões?", disse o Mullá.

De costas

Nasrudin foi procurado por alguns estudantes que lhe pediram permissão para ouvir suas lições. Ele a concedeu a permissão e seguiram todos caminhando atrás do Mullá, que por sua vez montara seu burrico de frente para a cauda do animal.

As pessoas ficaram confusas e pensaram que Nasrudin estava louco e os estudantes atrás dele, ainda mais loucos. Afinal, quem é que segue um sujeito montado de costas num burro.

Não demorou para que os estudantes se sentissem constrangidos e disseram ao Mullá:

"Ó Mullá, as pessoas astão nos olhando, por que você monta o burrico desse jeito?"

Nasrudin franziu as sobrancelhas e disse:

"Vocês estão mais preocupados no que acham as pessoas do que naquilo que estamos fazendo. Portanto, vou explicá-lo a vocês: se andassem na minha frente, estariam de costas para mim e isso seria desrespeitoso comigo; se eu segui-se na frente, montado no burro de costas para vocês, seria desrespeito com vocês. Este é o unico jeito de fazê-lo."

Como Nasrudin criou a verdade

"Estas leis não tornam melhores as pessoas", disse Nasrudin ao Rei; "elas devem praticar certas coisas de forma a sincronizarem-se com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente a verdade aparente."

O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade - e o faria. Ele poderia fazê-las praticar a autenticidade.

O acesso a cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o Rei ordenou que fosse construida uma forca.

Quando os portões da cidade foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o capitão da guarda estava postado a frente de um pelotão para averiguar todos que por ali entrassem.

Um édito foi proclamado: "todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Mas, se mentir, será enforcado."

Nasrudin deu um passo à frente.

"Aonde vai?" - perguntou o capitão da guarda.

"Estou a caminho da forca" - respondeu Nasrudin.

"Não acredito em você!"

"Muito bem, se estiver mentindo, enf…

Aprender a aprender

O Mullá Mandou um menino pegar água no poço.

"Tome cuidado para não quebrar o pote!", Gritou Nasrudin e deu uma bordoada no garoto.

"Mullá, por que bater em alguem que não fez nada?", perguntou um observador.

"Ora, seu estúpido, porque depois que quebrasse o pote seria muito tarde para puni-lo, não acha?"

A vontade de Deus

"Que seja feita a vontade de Deus", comentou um homem religioso no meio de uma conversa.

"Ela sempre se faz, qualquer que seja a situação", disse Nasrudin.

"Como pode prová-lo?"

"Muito simples. Se a vontade de Deus não se fizesse sempre, seguramente, vez por outra a minha se faria, não acha?"

Images of the SilkRoad

Um viagem pela Asia Central, Usbekistan, Turkomenistan, Kazakistan...

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