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Mostrando postagens de Outubro, 2008

Um momento no tempo

"O que é o destino?" foi perguntado a Nasrudin por um estudioso.

"Uma sucessão interminável de eventos entrelaçados, um influenciando o outro."

"Não é uma resposta muito satisfatória. Eu acredito em causa e efeito."

"Muito bem. Veja só aquilo", respondeu Nasrudin, apontando um cortejo que passava justo naquele momento.

"Aquele homem está sendo levado à forca. Por que será??? Por que alguém lhe deu uma moeda que lhe permitiu comprar uma faca com a qual cometeu um assassinato? Ou porque alguém testemunhou o crime? Ou foi porque ninguém o impediu de cometer o delito?"

Se Deus quiser

Uma noite, Nasrudin comentou com a sua mulher: "Se chover amanhã, vou cortar lenha; se fizer sol, vou arar a terra."

"Diga 'se Deus quiser', Nasrudin, diga 'se deus quiser'." Advertiu sua mulher.

Ele ficou irritado: "Por que vou ter que dizer 'se Deus quiser'? Com toda certeza farei uma coisa ou outra".

Na manhã seguinte, o tempo estava bom, fazia um lindo dia de sol. Nasrudin saiu para arar a terra, mas quando estava prestes a pegar no arado, começou a chover. Pôs-se então a caminho do bosque para cortar lenha, mas não tardou em cruzar com um homem a cavalo, que lhe perguntou:

"Como se faz para chegar a tal povoado?"

"Não mim pergunte, pois não sei", respondeu Nasrudin e tratou de seguir seu caminho.

Mas, o homem ameaçou-o com um chicote ordenou-lhe: "Pare! vai me levar ao povoado."

Nasrudin não teve outro remédio a não ser trocar de rumo. Acompanhou o homem ao povoado que, por sinal, era muito longe dali.

Qu…

A caçada

O rei, que apreciava a companhia de Nasrudin, mandou chamá-lo certo dia para caçar ursos. Nasrudin ficou apavorado, mas não tinha como escapar dessa.

Quando voltou ao povoado, alguém lhe perguntou:
"como foi a caçada Nasrudin?"

"Fantástica!". Respondeu.

"Quantos ursos você matou?"

"Nenhum."

"Quantos perseguiu?"

"Nenhum."

"Quantos viu?"

"Nenhum."

"Então, como pode ter sido fantástica?"

"Quando se está caçando ursos, 'nenhum' é mais do que suficiente."

Isto por aquilo

Nasrudin foi a uma loja para comprar uma calça. Mudou de idéia e escolheu um manto que custava o mesmo preço. Pegou o manto e saiu da loja.

"Você não pagou!", gritou o vendedor.

"Eu deixei a calça, que custa o mesmo que o manto."

"Mas você também não pagou a calça!"

"E por que eu deveria pagar por algo que não quis comprar?!"

Caiu alguma coisa

Ao ouvir um forte estrondo, a mulher de Nasrudin saiu correndo até o quarto.

"Não precisa se preocupar", disse o Mullá, "foi apenas o meu manto que caiu no chão."

"O quê? e fez um barulho desses?"

"Sim, é que na hora eu estava dentro dele."

O peso da culpa

Um dia, ao voltarem para casa, Mullá Nasrudin e sua mulher encontraram-na assaltada. Tudo o que poderia ser carregado o foi.

"A culpa é sua", disse sua mulher, "porque deveria ter se certificado, antes de sairmos, de que a casa estava trancada."

Os vizinhos bateram na mesma tecla: "Você não trancou as janelas", disse um deles.

"Porque não se preveniu para uma situação como essa?", disse outro.

"As trancas estavam com defeito e você não as substituiu", disse um terceiro.

"Um momento", disse Nasrudin, "certamente não sou eu o único culpado, sou?"

"E quem deveríamos culpar?" gritaram todos.

"Que tal os ladrões?", disse o Mullá.

De costas

Nasrudin foi procurado por alguns estudantes que lhe pediram permissão para ouvir suas lições. Ele a concedeu a permissão e seguiram todos caminhando atrás do Mullá, que por sua vez montara seu burrico de frente para a cauda do animal.

As pessoas ficaram confusas e pensaram que Nasrudin estava louco e os estudantes atrás dele, ainda mais loucos. Afinal, quem é que segue um sujeito montado de costas num burro.

Não demorou para que os estudantes se sentissem constrangidos e disseram ao Mullá:

"Ó Mullá, as pessoas astão nos olhando, por que você monta o burrico desse jeito?"

Nasrudin franziu as sobrancelhas e disse:

"Vocês estão mais preocupados no que acham as pessoas do que naquilo que estamos fazendo. Portanto, vou explicá-lo a vocês: se andassem na minha frente, estariam de costas para mim e isso seria desrespeitoso comigo; se eu segui-se na frente, montado no burro de costas para vocês, seria desrespeito com vocês. Este é o unico jeito de fazê-lo."

Como Nasrudin criou a verdade

"Estas leis não tornam melhores as pessoas", disse Nasrudin ao Rei; "elas devem praticar certas coisas de forma a sincronizarem-se com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente a verdade aparente."

O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade - e o faria. Ele poderia fazê-las praticar a autenticidade.

O acesso a cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o Rei ordenou que fosse construida uma forca.

Quando os portões da cidade foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o capitão da guarda estava postado a frente de um pelotão para averiguar todos que por ali entrassem.

Um édito foi proclamado: "todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Mas, se mentir, será enforcado."

Nasrudin deu um passo à frente.

"Aonde vai?" - perguntou o capitão da guarda.

"Estou a caminho da forca" - respondeu Nasrudin.

"Não acredito em você!"

"Muito bem, se estiver mentindo, enf…

Aprender a aprender

O Mullá Mandou um menino pegar água no poço.

"Tome cuidado para não quebrar o pote!", Gritou Nasrudin e deu uma bordoada no garoto.

"Mullá, por que bater em alguem que não fez nada?", perguntou um observador.

"Ora, seu estúpido, porque depois que quebrasse o pote seria muito tarde para puni-lo, não acha?"

A vontade de Deus

"Que seja feita a vontade de Deus", comentou um homem religioso no meio de uma conversa.

"Ela sempre se faz, qualquer que seja a situação", disse Nasrudin.

"Como pode prová-lo?"

"Muito simples. Se a vontade de Deus não se fizesse sempre, seguramente, vez por outra a minha se faria, não acha?"

Images of the SilkRoad

Um viagem pela Asia Central, Usbekistan, Turkomenistan, Kazakistan...

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