quinta-feira, 25 de junho de 2009

Se é pelo manto e pelo turbante...



Um iraniano pediu ao Mullá que lhe lesse uma carta que recebera de um amigo.

Nasrudin olhou a carta. Estava escrita em persa e a caligrafia era péssima. Então disse ao homem: "arruma outra pessoa para lê-la".

O homem insistiu.

"Escuta! Eu não sei persa", explicou o Mullá. "E ainda se fosse em turco, a letra de seu amigo é tão ruim que eu não seria capaz de lê-la".

O iraniano enlouqueceu: "Você está vestindo um turbante e um manto de tal imponência e não é capaz de ler uma simples carta?! Você deveria se envergonhar!"

Nasrudin tirou seu turbante e seu manto e deu-os ao iraniano: "Então leia a carta você mesmo".



quinta-feira, 18 de junho de 2009

O casal silencioso

Era uma vez um homem e uma mulher que tinham acabado de se casar. Ainda vestidos com seus trajes nupciais se acomodaram em seu novo lar mal o último convidado partiu.
"Querido", vá fechar a porta que dá para a rua". Disse a jovem senhora.
"Fechar a porta? Eu? Um noivo em seus trajes esplêndidos, com um manto de valor inestimável e uma adaga cravejada de pedras? como alguém poderia esperar que eu fizesse uma coisa dessas? Você deve estar fora do juízo. Vá você mesmo fechá-la".
"Ah, é assim? Você pensa que sou sua escrava? Uma mulher bonita e gentil como eu, que usa um vestido da mais fina seda? Você acha que eu me levantaria no dia do meu casamento para fechar a porta que dá para a via pública? Impossível"!
Ficaram em silência por um minuto ou dois, até que a mulher sugeriu que poderiam solucionar o problema com uma aposta. Combinaram que o primeiro que falasse fecharia a porta.
Havia dois sofás na sala e a dupla se sentou, frente a frente, olhando-se em silêncio.Ficaram assim durante duas ou tres horas.
Enquanto isso um bando de ladrões passou por ali e viram que a porta estava aberta. Esgueiraram-se para dentro da casa silenciosa, que parecia deserta e começaram a recolher todos os objetos que pudessem carregar.
O casal os ouviu entrar, mas um achava que era o outro quem devia cuidar do assunto. Nenhum dos dois falou, nem se mexeu, enquanto os ladrões iam de um quarto a outro, até que finalmente chegaram à sala e não perceberam, de início, a sombria e estática dupla.
A dupla no entanto continuava sentada, enquanto os ladrões carregavam todos os móveis e enrolavam os tapetes sob os pés do casal. Confundindo o idiota e sua obstinada esposa com manequins de cera, despojaram-nos de suas jóias. Mesmo assim os dois continuavam mudos.
Os ladrões se foram. A noiva e o noivo continuaram imoveis durante toda a noite, nenhum deles desistiu. Ao amanhecer um policial em sua ronda viu a porta aberta e entrou. Indo de um aposento ao outro, até que chegou ao casal e perguntou-lhes o que tinha acontecido. Nem o homem nem a mulher se dignaram a responder.
O policial pediu reforços. Muitos defensores da lei chegaram e todos foram ficando cada vez mais furiosos diante do silêncio da dupla, que lhes parecia, obviamente, uma afronta calculada.
O oficial encarregado perdeu a paciência e ordenou a um de seus homens:
"Dê uns tabefes nesse homem para que ele recupere a razão".
Diante disso a mulher não conseguiu conter-se:
"Por favor, senhores guardas, não batam nele. É meu marido"!
"Ganhei"! Gritou imediatamente o imbecil. "Você vai fechar a porta"!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O valor de um desejo


Nasrudin tinha um búfalo, cujos chifres eram bem afastados um do outro. Sempre imaginava que, caso conseguisse instalar-se entre eles, seria exatamente como estar sentado num trono.

Um dia, o animal sentou-se bem próximo, e a coisa mais simples do mundo seria acomodar-se entre os chifres. Nasrudin não pôde resistir à tentação. O búfalo, quase de imediato, levantou-se e jogou-o longe. Sua mulher, ao encontrá-lo desmaiado no chão, começou a chorar.

"Não chore", disse Nasrudin assim que voltou a si.

"Tive meu sofrimento, mas ao menos realizei também o meu desejo."

O HOMEM CUJA HISTÓRIA ERA INESPLICÁVEL

Era uma vez um homem chamado Mojud. Ele vivia numa cidade onde havia conseguido um emprego como pequeno funcionário público, e tudo levava...