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Mostrando postagens de Outubro, 2009

O Homem cuja vida era inexplicável

Era uma vez um homem chamado Mojud. Ele vivia numa cidade onde obtivera um emprego como pequeno funcionário público, e tudo parecia indicar que terminaria sua vida como inspetor de pesos e medidas.


Certo dia quando caminhava ao longo dos jardins de um antigo edifício próximo à sua casa, Khidr, o misterioso Guia dos Sufis, surgiu diante dele, vestido de um verde luminoso. Então o Khidr disse:


"Homem de brilhantes perspectivas! Deixe seu trabalho e se encontre comigo na margem do rio dentro de três dias". 


Excitado, Mojud procurou seu chefe e lhe disse que ia partir. E todos na cidade logo souberam do fato e comentaram:


"Pobre Mojud, deve ter ficado louco."


Mas, como havia muitos candidatos ao posto vago, logo se esqueceram de Mojud.


No dia marcado, Mojud encontrou Khidr, que lhe disse:


"Rasgue suas roupas e se jogue no rio, talvez alguém o salve". 


Mojud obedeceu, embora se perguntasse se não estaria louco.


Já que sabia nadar, não se afogou, mas ficou boiando…

A Jóia Preciosa

Num  longínquo reino de perfeição, um rei poderoso e justo tinha uma esposa e duas crianças maravilhosas, um filho e uma filha. E todos viviam em grande felicidade.


Um dia a pai chamaou os filhos para junto de si e lhes disse:


"Chegou para vocês, como chega para todos, o momento em que deverão partir em direção a um  outro mundo, a uma distância infinita. Lá vocês irão procurar uma jóia preciosa, e assim que a encontrarem voltarão, trazendo-a com vocês."


Cercados de grande segredo, os viajantes foram levados a uma nova e estranha terra, onde quase todos os habitantes viviam na obscuridade e na noite de seu sono.


O choque foi tão grande que o irmão e a irmã se separaram, perderam progressivamente o contato entre eles, e logo esqueceram tudo sobre sua origem.


Como os demais habitantes daquele país, eles iam de um lado para outro, dormindo profundamente.


De tempos em tempos, sonolentos, viam sombras, miragens distantes do país de onde tinham vindo, ou então sonhavam com uma jóia.


Mas …

O rei sem ofício

Era uma vez um rei que havia esquecido o velho conselho dos sábios, segundo o qual quem nasce na comodidade e no conforto precisa fazer um esforço pessoal maior do que os outros. Mesmo assim era um rei justo e popular.


Um dia, quando viajava para visitar uma de suas terras mais distantes, uma tempestade desabou e separou o seu barco de sua escolta. A tempestade serenou depois de sete dias de fúria. o barco havia afundado e os únicos sobreviventes do naufrágio foram o rei e sua pequena filha, pois eles de algum modo, haviam conseguido subir numa balsa.


Depois de muitas horas, a balsa foi jogada numa praia de um país totalmente desconhecido para os viajantes. Inicilamente foram recolhidos por pescadores que cuidaram deles e que depois de algum tempo disseram:


"Somos muito pobres e não podemos continuar a mantê-los. Se caminharem para o interior, quem sabe poderão encontrar os meios para ganhar a vida."


Agradecendo aos pescadores e sentindo pesar por não poder conviver com eles, o …

Os cegos e o elefante

Um pouco além de Ghor havia uma cidade. Todos os que ali viviam eram cegos. Certo dia surgiu um rei com seu séquito. Trazia seu exercito e acampou fora da cidade, no deserto. Viera com eles um elefante de grande porte, usado pelo rei para atacar e para intensificar o temor do povo.

As pessoas do lugar estavam ansiosas para ver o elefante, e alguns cegos daquela população cega se precipitaram como loucos procurando encontrá-lo. E assim que o acharam, se puseram a tateá-lo.

Cada um pensou saber algo sobre o animal, porquanto podia tocar uma parte dele.

Quando retornaram para junto de seus concidadãos, estes logo formaram grupinhos ao seu redor, ávidos de esclarecimentos. Todos estavam ansiosos, buscando, equivocadamente, conhecer a verdade daqueles que estavam enganados.

Perguntaram sobre a forma e aspecto do elefante, escutando com interesse tudo que lhes era dito.

O homem a quem coubera tocar a orelha do elefante foi indagado sobre a natureza particular do animal.  E ele informou, &qu…

A lenda das areias

Vindo desde as suas origens em distantes montanhas, após passar por inúmeros acidentes de terrenos nas regiões campestres, um rio finalmente alcançou as areias do deserto. E do mesmo modo como vencera as outras barreiras, o rio tentou atravessar esta de agora, mas se deu conta de que suas águas mal tocavam a areia nela desapareciam.


Estava convicto, no entanto, de que fazia parte do seu destino cruzar aquele deserto, embora não visse como fazê-lo. Então uma voz misteriosa, saída do próprio deserto, sussurrou:


"O vento cruza as areias do deserto,  o mesmo pode fazer o rio."


O rio objetou estar se arremessando contra as areias, sendo assim absorvido, enquanto que o vento podia voar, conseguindo dessa maneira atravessar o deserto.  


"Arrojando-se com violência como vem fazendo não conseguirá cruzá-lo. Assim desaparecerá ou se transformará num pântano. Deve permitir que o vento o conduza a seu destino."


"Mas como isso pode acontecer?"


"Consentindo em ser abso…

Quão longe se pode estar utilmente da verdade?

Nasrudin viu alguns patos de aspecto apetitoso brincando num lago. Tentou pegá-los, mas eles conseguiram fugir.

Então colocou uns pedaços de pão na água e os foi comendo.

Algumas pessoas perguntaram o que ele estava fazendo.

"Estou tomando sopa de pato", respondeu o Mullá.