quinta-feira, 22 de abril de 2010

QUEM SOU EU?

Depois de uma longa viagem, Nasrudin deu de cara com uma turbulenta multidão em uma grande cidade. Nunca havia visto um lugar tão grande e lhe confundiam a cabeça todas aquelas pessoas amontoadas pelas ruas.

“Num lugar assim”, refletia Nasrudin consigo mesmo, “fico imaginando como é que as pessoas fazem para não se perderem de si mesmas, para saberem quem são”.

Então, pensou: “Devo recordar-me bem de mim, caso contrário poderia perder-me de mim mesmo”. Mais que depressa, procurou uma hospedaria.

Um sujeito brincalhão estava acomodado numa cama próxima àquela reservada a Nasrudin.

O Mullá pensou em fazer a sesta, mas estava diante de um problema: como encontrar novamente a si mesmo ao acordar. Confidenciou seu problema ao vizinho.

“Muito simples”, disse o tal brincalhão. “Aqui tem um balão. Basta amarrá-lo na sua perna e ir dormir. Quando acordar, procure o homem com o balão e esse homem será você.”

“Excelente idéia”,
disse Nasrudin.

Algumas horas depois, o Mullá acordou. Procurou o balão e o achou amarrado na perna do vizinho brincalhão.

“É, esse aí sou eu”, pensou. Então, apavorado, começou a sacudir o sujeito: “Acorda! Algo aconteceu, do jeito que eu imaginei que aconteceria! Sua idéia não foi boa!”

O homem acordou e perguntou qual era o problema. Nasrudin apontou-lhe o balão.

“Pelo balão, posso dizer que você sou eu. Mas se você sou eu, pelo amor de Deus, quem sou eu?”

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O IDIOTA E O CAMELO

Certa vez um idiota se pôs a olhar um camelo que passava e então lhe disse:

"Sua aparência é incrível. A que se deve essa figura torta?"


"A julgar pela impressão que lhe causei, você atribui uma falha àquele que modelou a forma. Atente para isto! Não encare meu aspecto torcido como uma falha".


E o camelo prosseguiu assim:


"Afaste-se de minha presença pelo caminho mais curto. Meu aspecto é este porque cumpre certa função; por uma razão determinada. O arco necessita de uma parte curva, tanto como da reta".


E concluiu :


"Dê o fora, tolo! A percepção do burro corre lado a lado com a natureza do asno".




Maulana Majudud, conhecido como Hakim Sanai, o iluminado, sábio revivificante de Ghanzna, escreveu amplamente sobre o fato de como são pouco merecedoras de confiança as impressões subjetivas e os julgamentos condicionados.


Uma de suas sentenças era a seguinte: " No deformador espelho de vossa mente pode acontecer que um anjo pareça ter a face de um demônio".


A presente parábola pertence a Obra: O Jardim Amuralhado da Verdade, de Hakim Sanai, escrita por volta de 1130 e foi extraido do livro: Histórias dos Dervixes (Idries Shah).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O FATOR UNIDADE


"Havia um velho homem que tinha sete filhos e lhes ordenou que o encontrassem uma certa noite em sua casa e que cada um trouxesse um bastão de trinta centímetros de comprimento e um dedo de espessura. Então todos vieram com seus bastões e o velho tinha um na sua mesa e o pegou e disse: "Agora vejam" e quebrou o bastão, depois disse a seus filhos: "Dêem-me seus bastões". Então, ele os colocou juntos e não pode quebra-los."

Extraído do livro: O fator Unidade, conversas com Omar Ali Shah

O HOMEM CUJA HISTÓRIA ERA INESPLICÁVEL

Era uma vez um homem chamado Mojud. Ele vivia numa cidade onde havia conseguido um emprego como pequeno funcionário público, e tudo levava...