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Mostrando postagens de Novembro, 2011

CARREGANDO O PASSADO

Dois monges Zen, Kanzã e Ekidô caminhavam por uma estrada em direção a um mosteiro muito distante. Naquele dia tinha acontecido um forte temporal e pela estrada por onde viajavam havia muita lama.


Estavam próximos a uma aldeia quando perceberam uma linda jovem tentando atravessar a estrada, porém a água e a lama dificultava a sua travessia. Tudo indicava que ela não queria estragar o seu quimono de seda. 


Imediatamente Kanzã pegou a jovem no colo e a carregou para o outro lado da estrada.


Depois deste incidente, os dois monges prosseguiram em sua caminhada. Mantiveram-se em silêncio por todo o percurso. Quando já estavam se aproximando do templo onde passariam a noite, após um longo dia de caminhada, Ekidô, demonstrando grande ansiedade, não conseguindo mais se conter e perguntou:


“Kanzã, Por que você carregou aquela jovem no colo para o outro lado da estrada? Nós, monges, não deveríamos fazer esse tipo de coisa.”


Kanzã respondeu com outra pergunta:


“Faz horas que coloquei aquela jovem no c…

AS LONGAS COLHERES

Era uma vez, num reino não muito distante daqui, havia um rei que era famoso tanto por sua majestade como por sua fantasia meio excêntrica.
Um dia ele mandou anunciar por toda parte que daria a maior e mais bela festa de seu reino. Toda a corte e todos os amigos do rei foram convidados.
Os convidados, vestidos nos mais ricos trajes, chegaram ao palácio, que resplandecia com todas as suas luzes.
As apresentações transcorreram segundo o protocolo, e os espetáculos começaram: dançarinos de todos os países se sucediam a estranhos jogos e aos divertimentos mais refinados.
Tudo, até o mínimo detalhe, era só esplendor. E todos os convidados admiravam fascinados e proclamavam a magnificência do rei.
Entretanto, apesar da primorosa organização da festa, os convidados começaram a perceber que a arte da mesa não estava representada em parte alguma.
Não se podia encontrar nada para acalmar a fome que todos sentiam mais duramente à medida que as horas passavam. Essa falta logo se tornou incontrolável. J…