O Anjo e o Homem Caridoso

Era uma vez, um ermitão que havia passado muitos anos em contemplação e isolamento, esse velho homem recebeu a visita de uma criatura celestial. Sentiu que havia chegado o resultado de sua austeridade e a confirmação de que estava progredindo no caminho da santidade.

“Ermitão”, disse o anjo, “deves ir dizer a certo homem caridoso que foi decretado pelo Altíssimo que, em virtude de suas boas obras, morrerá, exatamente dentro de seis meses e será levado diretamente ao paraíso”.

Maravilhado, o ermitão correu a casa do homem caridoso.

Este, depois de ouvir a mensagem, imediatamente aumentou suas obras, esperando poder ajudar mais pessoas, mesmo que já lhe tivessem prometido o paraíso.

Mas, passaram-se três anos e o homem caridoso não morreu. Continuou seu trabalho.

O Ermitão, porém, sentindo-se frustrado, porque sua predição não havia dado certo; aborrecido, porque afinal, parecia haver sofrido uma alucinação; magoado, já que as pessoas o apontavam na rua como falso profeta, que fingia receber milagres; foi se tornando cada vez mais amargurado, até que ninguém podia suportar sua companhia; nem ele mesmo.

Então, o anjo apareceu outra vez e disse-lhe:

“Vê, o quanto és frágil, na verdade, o homem caridoso foi para o paraíso e de fato morreu, de certa maneira conhecida somente pelos eleitos, enquanto ainda desfruta desta vida. Porém, tu continuas sendo quase um inútil. Agora que sentiste as dores que a vaidade produz, talvez sejas capaz de iniciar o caminho da verdadeira espiritualidade.”

A verdadeira espiritualidade é talvez o que está mais distanciado do que muitas pessoas religiosas creem que é. Os jovens e alguns pensadores de hoje, fazem bem em chamar esta falsa espiritualidade de engano, porque certamente é o que é.

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